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Recomendo o Livro: “Sobre crocodilos e avestruzes: falando de diferenças físicas, preconceitos e sua superação” de Lígia Assumpção Amaral.

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Mensagem  marcello cipullo Ter maio 01, 2012 6:45 pm


O mundo é diferente, as situações que envolvem as características estruturais das relações humanas são marcadas pela diferença. Entendemos através do texto de Lígia Assumpção Amaral, algo que diariamente nos deparamos; o anormal, o desviado, o anômalo, enfim, tudo aquilo que entendemos dentro de uma seleção de critérios que carregamos de maneira histórica através dos séculos.
A autora inicialmente ressalta através da linguagem apelativa e extremamente realista, o que estamos acostumados a encarar “crioulo doido”, “quatro olho”, “surdinho”, “cegueta”, “mula manca”, expressões que dificilmente passaríamos em nossas vidas impunes de pronunciá-las. Além do mais, quem jamais pronunciou tais expressões mesmo por brincadeira? – A intensidade dita significativamente a marca preconceituosa e inata dentro de cada um de nós, verdadeiro obstáculo natural que impede o “ser diferente” de viver em plenitude. É o que diz Lígia em seu parágrafo “...estaríamos muito perto da resposta: a presença de preconceitos e a decorrente discriminação vivida, ainda com mais intensidade, pelos significativamente diferentes, impedindo-os, muitas vezes, de vivenciar não só seus direitos de cidadãos, mas de vivenciar plenamente sua própria infância.” (sobre crocodilos e avestruzes, p.12)
Apresentar de maneira prática e objetiva a problemática vivida no preconceito de “ser diferente” não é tarefa fácil de conceituar, logo, sentimos na pele e refletimos aquilo que encaramos diante de nós. Sendo assim, ainda perguntamos; O que é ser diferente? Por que a diferença e a deficiência? Quais os parâmetros de preconceitos ligados a essa idéia? – A autora conceitua de início DIFERENÇA SIGNIFICATIVA, ou seja, tudo aquilo que temos idéia e que chamamos de vocação de componentes da natureza, para entendermos nossos padrões de semelhança; Um ponto de partida é compreendermos nossas semelhanças onde estamos incluídos como seres humanos. Todos nós conseguimos definir características básicas como: cabeça, tronco e membros superiores e inferiores, reconhecimento da fala e toda motricidade humana. Isto é o normal de cada um e qualquer alteração dessa forma e função, remete-nos à categorização de diferente, desviante e com deficiência.
Como prova dessa categorização, a autora cita em seu parágrafo o que dificilmente deixaríamos de afirmar como “tipo ideal” a ser seguido:
“Todos sabemos (embora nem todos o confessemos) que em nosso contexto social esse tipo ideal- que na verdade faz o papel de um espelho virtual e generoso de nós mesmos- corresponde, no mínimo, a um ser: jovem, do gênero masculino, branco, cristão, heterossexual, física e mentalmente perfeito, belo e produtivo.”
Qualquer que seja o distanciamento dessas condições, causaria a categorização depreciativa ou validação do outro. Perpetuar e reconhecer esse “tipo ideal” é legitimar o preconceito e estigma. O reconhecimento do preconceito deveria ser sob caráter essencialmente reflexivo, avaliando e contextualizando o questionamento da normalidade e anormalidade que, geralmente levamos a julgar algo ou alguém.
A visão na tentativa de delinear a ampla problemática do preconceito e do estigma, leva a autora a recorrer como prova e enriquecimento, as citações de Gilberto Velho (1989), onde o referido conceitua a tendência de estigmatizar algo ou alguém como fenômeno patológico global, ou seja, gravíssima doença onde a pessoa “que se coloca ou é colocada” sempre mergulhada ora em sua individualidade ou coletividade social aprisionada. As conseqüências são as piores possíveis, logo, o peso desse preconceito assume e incorpora a incapacidade de quem sofre diretamente; Sentir na pele a diferença e os mitos que a cercam e perpetuados socialmente. Um fator muito interessante e que dificilmente discordaríamos, é o sentimento ou conteúdos emocionais que permeiam os preconceitos, o que segundo a autora configuraria como “predisposição perceptual”. Temos por conseguinte; atração, admiração, amor, medo, raiva, repulsa. Esses sentimentos seriam filtros de nossa percepção, condição inata. Caberia uma afirmação ou pergunta, logo, seríamos preconceituosos dentro de nossa natureza e constituição íntima? Pense cada um à maneira conveniente.
Podemos pensar na condição do preconceito pelo seguinte fato: Todos nós, em nosso universo vivencial repleto de estereótipos, ou seja, criamos uma barreira ou um tipo fixo de ser humano ou condição de vida e este permanece imutável. Segundo Lígia, esses estereótipos estão presentes em nosso cotidiano e tecemos comentários ou julgamos de maneira grosseira o que foge ao nosso mundo costumeiro. Fazemos assim com negros, judeus, homossexuais, prostitutas, loucos, deficientes. Programas de televisão exploram esses estereótipos e entorpece a mente das pessoas, verdadeiro festival de banalidades perpetuado de geração em geração.
Realmente não é fácil delimitar as nossas ações e pensamentos que envolvem uma situação de preconceito, logo, cometemos a todo o momento. Seria o que a autora chama de “correlação linear”, associar de maneira direta o que vem a substituir uma situação de desvantagem ao deficiente, exemplos:
“A audição é um sentido privilegiado no cego”
“Se o deficiente desempenha determinada atividade, então, a atividade deve ser boa e de grande valia a todos os deficientes”
“Determinado paraplégico é uma pessoa cruel, logo, os demais devem ser as mesmas personalidades devido ao problema físico”
“É paralítico, mas é tão inteligente”
“É negro, mas tem alma de branco”
“É homossexual, mas é tão sensível”
“Diga-me com quem tu andas, que te direi quem tu és”
Sem hipocrisia em discurso, mas, todo mundo já pensou dessa forma a respeito de um deficiente físico, um negro, uma prostituta, um drogado, um ladrão, um aluno limitado e problemático, etc. A autora salienta que essa atitude de pensar e agir seriam anteparos “diante” de uma situação desfavorável em relação à outra, principalmente quando usamos estereótipos próximos aos ideais, ou seja, aquilo que almejamos como situação e condição ideal de ser humano ou de vida. Nessas condições caberíamos de maneira irrestrita nos estereótipos de heróis, vilões e vítimas de nossas fraquezas humanas. A pergunta que ficaria sem uma resposta ou que tentaríamos responder dentro de nossas consciências, é a seguinte: Seria possível encarar a deficiência de maneira natural e proceder como se nada existisse diante de nossos olhos? Você poderia conseguiria evitar a “correlação linear” acima citada?
Enquanto surge um turbilhão de idéias diante de uma situação que encaramos diferente ou problemática, vamos nos acomodando em simulações na negação diante das diferenças, verdadeiro discurso demagogo, pessoas mal preparadas e que simplesmente dissimulam; Fulano de tal é cego, mas não parece...É homossexual, mas não parece, ou melhor, parece homem!

RESUMINDO: DILETOS AMIGOS, O SER HUMANO É HIPÓCRITA, SIMULADOR E DISSIMULADOR DE SI MESMO, SEMPRE OFERECENDO SOLUÇÕES BONITAS NA TEORIA E INAPLICÁVEIS NA PRÁTICA. ELE ENFIA A CABEÇA NA TERRA, TAL COMO O AVESTRUZ, ESTÁ LONGE DE SE LIVRAR DAS ARMADILHAS DO PRECONCEITO. VOCÊ É ASSIM, EU SOU ASSIM...

marcello cipullo

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